Mestrado  

1. Disciplinas obrigatórias  

Teoria Antropológica I 

Ementa: O objetivo do curso é oferecer uma introdução à história do pensamento antropológico, considerando as principais correntes teóricas que surgiram desde meados do século XIX até meados do século XX, as quais contribuíram para a formação da antropologia como disciplina acadêmica: evolucionismo, culturalismo norte-americano, estrutural-funcionalismo britânico e estruturalismo francês. A leitura e conhecimento dos pressupostos teóricos e metodológicos de autores e autoras considerados clássicos orientam discentes na compreensão das fundamentações da Antropologia.

Teoria Antropológica II 

Ementa: A disciplina visa analisar os desenvolvimentos recentes na teoria antropológica e na pesquisa etnográfica. Partindo da ruptura com as teorias vigentes na primeira metade do século XX, busca discutir paradigmas e metodologias articulados aos contextos contemporâneos.Visa examinar criticamente temas e questões como o lugar (epistemológico, ético, social e político) do/a antropólogo/a como autor/a, sua produção textual nos processos de representação etnográfica e os modelos utilizados para conceituar e viver o campo antropológico. 

Teoria Sociológica I 

Teoria Sociológica II 

Metodologias Avançadas das Ciências Sociais 

Ementa: Apresenta a metodologia própria às Ciências Sociais, em particular à Antropologia e Sociologia, discute a construção do problema, a delimitação do objeto de pesquisa e apresenta os instrumentos metodológicos necessários à produção do conhecimento. Discute o método e as técnicas de pesquisa em um quadro mais amplo dentro da Antropologia e Sociologia. As formas, maneiras ou modos de investigação com base em arquivos, textos escritos diversos e imagens, são tematizadas sob o ponto de vista do fazer antropológico e sociológico. Produção e organização de dados, bem como os problemas associados à produção de texto são igualmente estudados. Oferece destaque à discussão sobre o trabalho de campo e a etnografia, ambos discutidos como marco reflexivo da produção de técnicas de pesquisa. Problematiza temas frequentemente geradores de tensão: a relação do pesquisador com “os nativos” (e a própria produção da categoria “nativo”), a produção de informação a partir das anotações do trabalho de campo, entrevistas e histórias de vida, análise de linguagens, a ética na pesquisa antropológica. Produção do projeto de dissertação/tese. 

Seminário de Dissertação

Ementa: Habilitar mestrandos na utilização dos recursos da metodologia da investigação e da metodologia da explicação no processo da produção acadêmica na área das ciências sociais.

 

Doutorado 

2. Disciplinas obrigatórias 

Epistemologia das Ciências Humanas 

Ementa: entre um modelo estritamente empírico (Bacon), baseado na observação de fenômenos, e um modelo que, por tomar como referência a matemática, convencionou-se chamar de racionalista (Descartes). Embora essas diferenças não tenham propriamente prejudicado o desenvolvimento do conhecimento científico, é um ponto perturbador para a própria autocompreensão da tarefa desempenhada pelos pesquisadores em geral. Diante disso, um dos objetivos da disciplina é discutir a questão do consenso em torno da “natureza” do conhecimento científico e, em particular, a manifestação desse problema nas ciências humanas. Ao lado disso, ela pretende apresentar e discutir as mais importantes linhas do debate filosófico contemporâneo acerca do tema. Neste quadro, destacam-se: a Teoria Crítica (em especial Adorno e Horkheimer); o Neo-Positivismo, de Karl Popper; a arqueologia e a genealogia de Michel Foucault; a posição de Habermas e o chamado “pós-modernismo” (em especial Lyotard e Derrida). Ao lado disso, haverá uma preocupação de discutir a hermenêutica (o mundo como texto, o mundo como sentido) e, também, a questão do simbolismo (numa perspectiva antropológica), a partir de autores clássicos e modernos, em sua relação com os clássicos das Ciências Sociais.

Seminário de Tese 

Teoria Antropológica III 

Teoria Sociológica III

Ementa: Esta disciplina se propõe a repassar a teoria sociologia que serviu de base as interpretações sobre a América Latina, e sua critica. Igualmente serão visitadas correntes teóricas, metodologias, autores e obras que fomentavam uma reflexão critica sobre atores e processos sociais, econômicas e políticas, na trajetória da Sociologia latino-americana. Teorias da modernização. Modernidade. Eurocentrismo, colonialismo e novos esquemas interpretativos sobre o poder, a dominação, sobre o estado e as políticas. Pós-colonialismo. Teorias e criticas do desenvolvimento e pós-desenvolvimento. Debate no sentido de orientar a leitura sobre a descolonização do saber e a produção de uma sociologia integrada aos processos históricos da América Latina, e da reflexão epistemológica.

Nesta linha de discussão a disciplina procurara desenhar a trajetória do debate sobre desenvolvimento, dependência e emancipação buscando entender as genealogias, problemas e desafios teóricos e metodológicos das ciências sociais latino-americanas no século XXI. A noção de desenvolvimento demarca o surgimento da sociologia, desde os clássicos, se considerarmos que a noção de progresso esteve na base da formação do pensamento social potencializada no ocidente. Progresso e desenvolvimento na linha do tempo, como linearidade. A partir dessa base se pode entender os projetos intelectuais, os programas políticos e as utopias sociais que conformaram a segunda metade do século XIX e o XX. E a institucionalização das ciências sociais no século XX e XXI, tendo a noção de desenvolvimento como base epistemológica. Desconstrução e exercício epistemológico da concepção ocidental da sociologia, e da ocidentalização da sociologia latino-americana. 

 

Mestrado e Doutorado 

3. Disciplinas eletivas/optativas 

Sociologia do Trabalho 

Ementa: O trabalho na perspectiva sociológica clássica e contemporânea. Formas de organização da produção e de gestão do trabalho. Reestruturação produtiva e a nova morfologia do trabalho. Terceirização, flexibilidade e precarização. Globalização e o precariado.

Antropologia da Religião

 

4. Tópicos Especiais em Ciências Humanas 

Família e Gênero: Leituras e Imbricações 

Estudos em Organização Social e Parentesco em Cenários Amazônicos 

Pensamento Crítico Latino-americano Aplicado à Cidade de Belém: Seminários e Produção de Textos 

Ementa: No contexto atual de restauração conservadora, o pensamento crítico latino-americano cumpre papel relevante no sentido de contestar o pensamento único e fomentar uma intelectualidade crítica. Hoje o único conhecimento validado pelas políticas públicas no campo do urbano é aquele perpassado por uma racionalidade que se vincula ao progresso capitalista, veiculado pelo discurso neo-liberal. Na lógica da cidade mercadoria, o espaço público se reduz, posto que tudo que interessa é a valorização do capital. Por outro lado, o pensamento crítico latino-americano leva a abordagens focadas nas particularidades da região, reconhecendo a nossa condição pós-colonial e com ela as várias colonialidades que vigoram na vida urbana, entre elas a segregação sócio-racial que caracteriza o processo de urbanização da cidade. Vemos a necessidade de enfrentar essa lógica, que objetiva à homogeneização do espaço e a desvalorização dos lugares de vida popular, a partir da defesa da interculturalidade e da diversidade. Interculturalidade para a cidade de Belém liga-se a políticas de espaço e lugar, e à resistência/insurgência de indígenas e negros nos lugares onde podem afirmar identidades e conhecimentos outros. Relaciona-se com o direito à cidade e à luta antirracista. Belém nasceu segregando, criando zonas desumanizadas no seu ordenamento urbano, e desde então mantém essa estrutura colonial, que junta desigualdades de classes com estratificações étnico-raciais. A disciplina será ministrada através de seminários direcionados à produção de textos sobre a realidade urbana da cidade.

Sociologia Brasileira

Ementa: O curso pretende abordar os processos que antecedem e ao mesmo tempo participam do surgimento da sociologia crítica no Brasil. Destaque nesse sentido deve ser dado aos debates ocorridos entre Florestan Fernandes e Guerreiro Ramos sobre o papel do sociólogo em tempos de mudança. Enfocar também Gilberto Freyre, o regionalismo e o pensamento sociológico do centro sul, defendendo o luso tropicalismo e a autonomia sociológica das regiões. O curso buscará destacar a importância da questão agrária e urbana e da questão nacional e regional, ressaltando a emergência de novas correntes sociológicas comprometidas com temas e problemas do Brasil contemporâneo.